Industrial Metal Lindemann - Skills in Pills

Publicado em 2 de agosto de 2015 | por Karen Batista

Till Lindemann em entrevista para o Rafabasa.com, parte 1: “Ama a ti mesma!”

Tivemos o prazer de ser testemunhas do início de um projeto dos mais promissores, e eis que LINDEMANN é formado por Till Lindemann (RAMMSTEIN) e Peter Tägtgrenn (HYPOCRISY, PAIN). Por motivos de saúde, Peter não pôde estar presente na entrevista, mas Till estava disposto a nos receber para uma longa conversa sobre seu disco de estreia “Skills in Pills”, um trabalho que está dando muito o que falar e que, com seu lançamento em fim de junho, não deixará ninguém indiferente. Em um hotel central na capital, entrevistamos esta lenda que, como tal, se mostrou muito acessível e amável a todo momento. A seguir, deixamos vocês a par desta divertida e interessante conversa que tivemos com Till Lindemann:

Para começar, qual o objetivo e a intenção deste novo projeto, sendo que vocês dois têm já têm projetos tão importantes em mãos?

Till: O propósito? Acho que isso começou realmente faz 15 anos e foi em Estocolmo. Durante minha estadia lá, fui ao estúdio do nosso produtor, e isso me levou várias semanas e meses, e neste pouco tempo tive tempo de conhecer muitos músicos, já que Estocolmo é uma cidade bem pequena. Um dia nos conhecemos, Peter e eu, nos encontrávamos bebendo todos os dias no mesmo lugar, e nos dizíamos “ei, cara, eu curto a tua música, vamos fazer algo juntos um dia”, e daí nasceu a ideia. Só que o que acontecia era que nunca entrávamos em acordo e dizíamos “para o ano que vem, para o ano que vem…”, e assim ano após ano, porque ou eu estava em turnê, ou ele estava em turnê, ou nós dois estávamos em turnê e este foi o ano em que conseguimos realizar o projeto. E depois do nosso show no Wacken em 2013 [N. da T.: o último do Rammstein até agora], eu liguei pra ele e começamos a conversar sobre fazer algo juntos.

Eu disse pra ele, “me manda o que quiser que eu faço as letras”. Quando estávamos trabalhando nele, sabe “Ladyboy”?[N. da T.: uma das músicas do LINDEMANN] Pois com “Ladyboy” eu liguei pro Peter e disse pra ele “já tenho uma música, chama-se ‘Ladyboy’, salva e ouve aí pra ver se dá de aproveitar algo dela”, e ele me dizia “ok, ok, vamos incluí-la”, e eu dizia pra ele “não, não, escuta aí direito pra ver se você curte”, e ele me dizia “o público é que vai dizer se é boa ou não”.

E assim foi o trabalho no disco, aconteceu isso com a primeira música, depois com a segunda, a terceira e assim sucessivamente… E logo veio o desafio de lançar um álbum com a minha voz em inglês. Foi divertido fazer um disco em inglês depois de vários em alemão, pelo que eu me dediquei a escrever e a escrever, enquanto o Peter não parava de me mandar novos arranjos instrumentais. Quando tínhamos já umas 5 ou 6 músicas, eu disse “por que não fazemos um EP com isso?” e ele me disse, “claro, por que não?”. De qualquer forma, nesse tempo seguimos trabalhando duro, e quando chegamos às 10 músicas dissemos “agora sim está pronto!”. Foi então que bastou a gente assinar o contrato com a gravadora, a trabalhar na mixagem, produção e promoção do disco… todo o possível pra essa estreia não ser uma merda! [risos]

Por que o título “Skills in Pills” para esse novo álbum?

Till: É fácil, nós não consumimos nenhum tipo de droga que seja totalmente ilegal. É bem diferente beber álcool e fumar de tomar algo que não é legal, é preciso ter habilidade com o que se toma. Por exemplo, nos encontramos com pílulas que podem fazer com que morramos ou que nos alterem o temperamento, mas para ficar chapado dá de tomar substâncias legais, sendo habilidoso e sem ter que ser algo diretamente ilegal. Essa verdade nos pareceu algo divertido e realista como título deste disco.

A capa do disco com o fogo é um tanto… desconcertante. O que vocês pretendem transmitir com ela?

Till: É simplesmente divertida, com a gente como dois sujeitos peculiares. Quando você compra um disco, a primeira coisa que vê é a capa, depois vira e vê a contracapa, e depois de comprar você vê o encarte, tudo isso já faz você entender. Então o que pedimos é que esperem para entender quando o material for lançado.

Neste disco, encontramos constantemente trechos com a temática do sexo e do humor, mas também encontramos outras músicas como “Children of the Sun” ou “Home Sweet Home”, muito mais profundas e nas quais a temática é o passo inexorável do tempo, a doença e a morte. Para vocês é difícil ou, pelo contrário, é fácil incluir essas músicas no álbum para mandar uma mensagem para o mundo?

Till: Cada um acha uma mensagem nas músicas, e em umas vezes ela será mais positiva que nas outras. Como comentei, Peter me mandou um monte de canções e eu tratei de ir captando mensagens de lá e de cá. Me limito a escutar a música, já que ela por si só me inspira, e a partir daí trato de pôr em prática na música e adaptar as letras a elas. Realmente não há nenhuma mensagem, simplesmente me deixo levar pela música e as letras refletem o que a música me diz. Com certeza esses temas falam do passar do tempo, das doenças, mas no fim das contas, são coisas da vida. Um dia podes estar feliz e no dia seguinte, podes estar gritando de desespero. A vida é uma montanha russa, um dia estás nos altos e outros nos baixos, e não é preciso esconder isso.

Falando de “Home Sweet Home”, nos deparamos com uma balada maravilhosa e muito épica. Conte-nos como você compôs esta música…

Till: Oh, “Home Sweet Home”, sim… sua composição foi muito rápida e simples. Meu pai faleceu por causa de um câncer, é uma história realmente triste e comovente, e por isso está aí refletida.

“Fat” fala da beleza das curvas de uma mulher. Que mensagem deixarias às mulheres de todo o mundo que se olham no espelho e não se gostam?

Till: A mensagem que transmito na música é “gosta de ti, te ama”, não importa o que as pessoas digam de ti. Contudo, se você não souber se amar e gostar de si mesma, aí é que você tem realmente um problema. E sim, claro que gosto das gordinhas! “Ama a ti mesma!” é a mensagem que quero transmitir constantemente. Não gosto quando alguém não se valoriza só por ter uns quilos a mais, ou por não enxergarem quem são de verdade. Adoro as gordinhas que sabem o que querem e vão atrás disso. E realmente adoro vê-las tomando banho, se perfumando, se cuidando, ver que estão bem consigo mesmas. [risos]

Continua…

 

 

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Sobre o Autor

Germanófila desde 2004, após uma epifania ao ouvir "Mein Herz Brennt" do Rammstein pela primeira vez na faculdade de Artes. Criou o Tumblr "Till Lindemann - Poeta Camponês dos Olhos Tristes" sob o pseudônimo Kathrin Täufer em 2012 e a página Rock, Metal e Alternativo Alemão em 2014. Agora, ela segue o trabalho de divulgação das bandas da terra do chopp e do chucrute na LuaSombria.com.br.



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