Entrevistas Peter DeMilia/MusicPics/Rex

Publicado em 13 de julho de 2015 | por Karen Batista

Sexo, Pílulas e Metal: entrevista de Till Lindemann para a Rolling Stone

Sexo, Pílulas e Metal: o vocalista Till Lindemann do Rammstein em álbum solo sujo

“Temos advogados de prontidão”, diz o vocalista sobre músicas como “Praise Abort” e “Golden Shower”

Por Kory Grow, em 22 de junho de 2015 para a Rolling Stone. Traduzido por Karen Batista.

Por décadas, Till Lindemann, o frontman do Rammstein, tem cantado sobre todos os lugares onde ele gostaria de meter o pênis dele. O negócio é que, a menos que seus fãs falem alemão fluente, seus trocadilhos frequentemente se perdiam na tradução. Agora ele se compadece das pobres e infelizes almas que só têm uma compreensão básica de uma piada decente do tipo “meter minha salsicha no teu chucrute”.



Em “Skills in Pills” – o álbum de estreia do seu projeto paralelo LINDEMANN – o interesse recente do vocalista no idioma inglês permitiu que mais pessoas do que nunca possam chafurdar na imundície da mente dele. Títulos de músicas no álbum incluem “Golden Shower”, “Ladyboy”, “Fat” e o primeiro single, “Praise Abort”. Lindemann diz que tudo surgiu inocentemente porque ele quis fazer uma parceria com o frontman do Hypocrisy e do Pain, o Peter Tägtgtren. “Eu havia planejado trabalhar com o Peter em uma música pra um disco do Pain, e isso virou um disco inteiro porque não paramos de trabalhar”, ele conta. “Cantar em inglês foi muito divertido e um desafio enorme.”  “Somos basicamente dois idiotas batendo nossas cabeças juntos e todas essas coisas idiotas saem disso”, Tägtgren opina.

Agora a dupla se comprometeu completamente com essas “coisas idiotas”, tanto que fizeram um vídeo perturbador para “Praise Abort”, cheio de porcos-humanos transando e a letra do Lindemann sobre como os filhos dele arruinaram a vida dele. Eles estão até trabalhando em ideias para um novo álbum do Lindemann (“na semana que vem”, brinca Tägtgren), apesar deles não estarem atualmente planejando sair em turnê. O vocalista irá retornar ao Rammstein para começar a pré-produção de um novo álbum em setembro, enquanto Tägtgren vai focar novamente em suas outras bandas. Então, talvez em dois anos, eles dizem, eles gravarão um segundo álbum. Mas antes disso acontecer, Lindemann falou com a Rolling Stone sobre o “Skills in Pills” – principalmente para se explicar.

Qual foi a música que deu início a esse projeto?  

Till: Ladyboy. Eu a escrevi em inglês porque eu quis que o Peter entendesse sobre o que ela fala. Ele não fala alemão.  E o quê inspirou “Ladyboy”?  Till: Todo mundo espera que eu diga “eu fui à Tailândia”. É só uma fantasiazinha estranha. É bem engraçado quando você deixa as pessoas pensarem por si mesmas e abrirem suas mentes.



Mas é uma fantasiazinha estranha pra você?  

Till: Não, é um desejo. E de certa forma, tenho inveja dessas pessoas porque elas têm as duas coisas. Tipo, comparando com comida, é como comer lagosta e bife junto. Ou praticar surf e turfe [risos]. E é o melhor. Se tem os dois lados. Você entende o que eu quero dizer?

Então você tem inveja?  

Till: Ah meu Deus, tenho sim.

Você tem medo de que as suas letras atrapalhem sua vida amorosa?

Till: Sim. [risos]

Vamos falar sobre a música “Fat”. Você parece tímido mas também feliz em sentir atração por mulheres mais cheinhas. Por que essa dualidade?  

Till: Já viu um documentário sobre os tais “feeders”? Caras magrelos alimentando uma moça realmente obesa? E tendo esse fetiche, isso me inspirou porque é tão surreal e estranho, mas por outro lado, isso é muito foda, porque o cara não se importa. Ele gosta dela assim, e acho isso ótimo. É um tipo completamente diferente de amor, porque não tem a ver com a aparência, a beleza e um corpo em forma. É somente amor puro.



Talvez outros tipos diferentes de groupies também comecem a abordar você agora.  

Till: Eu já ia dizer que estou pronto pra isso! [risos]

Então talvez haja alguma verdade nessas letras.  

Till: Ah sim, claro! O tempo todo vamos ter bastante peru.

Não entendi.

Till: Tem a carne gorda, a carne magra e dá pra comer das duas [risos].

Entendi, todas são bem-vindas.  

Till: Exatamente, agora sim você sacou.

Qual foi a proposta mais doida que você recebeu de uma groupie?  

Till: [suspira] Escolha uma letra, de A a F [risos]. Uma vez teve uma moça que queria cagar na minha barriga.

E como ela propôs isso pra você?

Till: Ela me ofereceu uma “pralina”, um desses docinhos que fazem na França e tal, os mais finos. Ela me enrolou com palavras mais poéticas e românticas. Não foi algo tipo “posso cagar em você?” [risos]. Ela pediu de forma bem educada. “Posso te oferecer uma pralina?”.

A julgar por este álbum, as pessoas vão pensar que a sua vida é só drogas e sexo.

Till: Deixe que pensem. O que mais existe? [risos] Se você olhar pra mim agora… [risos] Não, eu tenho uma vida normal. É necessário ter essa segunda vida em casa, com a família e os filhos separada da vida em turnê. Conheço uns caras que não têm isso. Eles vivem na loucura o tempo todo.

Já que você mencionou filhos e família, o que as suas filhas pensam de “Praise Abort”?  

Till: Elas sabem que é ficção, como interpretar um papel. É só algo, hm, em um cantinho da minha mente que às vezes é bem fácil de entrar na mente das outras pessoas.



Você não acha que eles estão se perguntando “por quanto tempo o pai tem se arrependido da minha existência”?

Till: Oh, minhas filhas me conhecem, e elas conhecem a história do Rammstein. É difícil chocá-las. Mas eu fui castigado, de certa forma, já que elas são muito fãs do Coldplay!

Já que as letras do Rammstein não são tão diferentes das letras do Lindemann, quais versos do Rammstein mais chocaram a sua família?  

Till: Bem no começo, fazíamos turnês do Rammstein em clubes bem pequenos. Nem tínhamos lançado um disco ainda. Tocávamos em restaurantes e pubs no sul da Alemanha. E a minha família foi para um lugar perto do meu vilarejo. E havia uma música, “Das Alte Leid”, onde eu ficava lá no palco e cantava “eu quero foder!”, “Ich will ficken”.



E naquela época era, tipo, meio obsceno cantar isso na frente de 800 pessoas, então… nisso eu vi minha mãe se virando e indo embora do lugar [risos]. Minha irmã começou a rir e fazer gestos de torcida [risos]. Sentimentos confusos, reações variadas. A música é bem lenta, pesada, com uma batida forte e tal. É meio que um poema. Eu canto de forma realmente sombria e então de repente, grito “EU QUERO FODEEEEEEEEER!” [risos]. Eu deixei minha mãe chateada. Ela trabalhava numa estação de rádio na época, e ela tinha trazido todos os colegas dela numa excursão até o show em Hamburgo, e ela estava toda, tipo, “venha, meu filho vai tocar! Vamos assistir”. E aí ela foi embora.

Tenho certeza de que a sua família sabe então o que esperar deste álbum.  

Till: Sim, este aqui é tranquilo como um passeio no parque [risos]. Acho que depois que você já abaixou as calças uma vez, nas próximas ninguém mais se surpreende. Mas claro, sabe como é com “Ladyboy”, “Golden Shower” e “Praise Abort”. Digo, essas três são bem brutais de um jeito diferente. Mas por que cantar sobre a tristeza quando dá pra se divertir?



Você está preparado para ser o alvo dos grupos pró-vida por causa de “Praise Abort”?  

Till: Oh sim. Já temos advogados de prontidão.

Algum grupo político ou religioso já tentou parar o Rammstein?

Till: Algumas vezes nos Estados Unidos, em Denver e nos estados mórmons, em Chicago, em algumas cidades houve pequenos protestos. Pessoal de igreja. Um protesto com grandes placas erguidas dizendo “Vão embora, seus nazistas!” e coisa assim. Eram grupos religiosos cristãos, mas eles sempre estão lá. Pro Slipknot e pro Manson, sempre aparecem. É como um evento de fim de semana pra eles. As pessoas comuns fazem piqueniques e eles fazem protestos [risos]. É algo tipo “tem um cara malvado que vai tocar aqui nesta noite”.

Você já xingou ou provocou algum deles?  

Till: Não, não. Eu sou bem educado. Cada um faz o que quer.  Eu vi vocês em Denver em 1999, e vocês fizeram um show e tanto durante “Bück Dich”, que quer dizer “curve-se”, e você fazia que transava com o tecladista do Rammstein, o Flake.  Till: Sim, sim. Fui preso por isso no Maine. Fomos pra cadeia por causa disso.



Como trataram você na cadeia?  

Till: Até que bem. Fiquei lá um dia e uma noite. Mas o problema é que eu ainda tenho que me explicar na alfândega o porquê de eu ter sido preso e ficado sob liberdade condicional. Isso nunca muda. Por isso, pelo resto da minha vida, assim que eu entro em solo americano, preciso ser entrevistado. Tentei tirar isso da minha ficha criminal com alguns advogados mas é impossível. “Atentado ao pudor”.

Você chamou o álbum de “Skills in Pills”. Quais são suas experiências com pílulas?  

Till: Isso vem dos velhos tempos. Na Alemanha Oriental, não tínhamos acesso nenhum a drogas. Era aquela coisa socialista, de proibir totalmente. E mesmo se você quisesse usar e tivesse grana, não havia como ter acesso algum. Então nós mesmos fazíamos coquetéis com pílulas e remédios. Era preciso ter habilidade para preparar o coquetel certo. Senão você pode morrer, ficar idiota pra sempre ou virar um retardado [risos]. Tipo, nunca conseguir voltar do barato. Então isso é dos velhos tempos da Alemanha Oriental.

Você já teve alguma má experiência com esses coquetéis de pílulas feitos por pessoas sem habilidade?  

Till: Olhe pra mim! [risos]



Você já fez show sob efeito de drogas?

Till: Não, não. Nem posso fazer isso, por questões de segurança com o fogo e tal. Não tenho nem permissão pra beber, porque se algo acontecer, vou pra cadeia pro resto da vida. Se algo acontecer com o fogo e tal, eu sou o responsável pelas pessoas no público e pelos meus colegas no palco. Mas depois? Sim, senhor. Bem-vindo ao meu pesadelo.

Falando em pirotecnia, o quão fácil é lidar com os comandantes dos Corpos de Bombeiros nos EUA?

Till: Tudo custa o dobro, porque é preciso mostrar pra eles antes como toda aquela porra funciona, o show inteiro. A gente gasta provavelmente entre 7 mil e 10 mil Euros por noite só pra pagar os bombeiros. E ainda é preciso explicar sobre todas as coisas da segurança. O Madison Square Garden foi um pesadelo, mas devo dizer que com 90 por cento dos comandantes dos bombeiros, se você for educado e profissional, eles são bem legais e tentam ser prestativos.



Qual efeito mais incomoda os bombeiros?

Till: Eles têm medo do fogo aberto, mas isso não é problema. O problema são as explosões com fagulhas. Essas fagulhas caem e podem causar chamas, ardendo sob alguma mesa de mixagem ou um cabo. E aí quando menos se espera, começa um incêndio.

Então, antes de irmos embora, vocês têm alguma ideia para novas músicas do Lindemann?

Till: Hoje tentamos inventar um novo refrão: “estou bêbado demais pra lamber o seu c*”.


Agradecimentos ao Trevor Belmont por permitir que este site seja o novo lar do conteúdo da extinta Rock, Metal e Alternativo Alemão. E ficam aqui créditos também ao Richard Orwell pelo vídeo legendado de “Das Alte Leid” e a recomendação para que confiram os vídeos que ele produziu com as músicas do Lindemann traduzidas.

Tags: , , ,


Sobre o Autor

Germanófila desde 2004, após uma epifania ao ouvir "Mein Herz Brennt" do Rammstein pela primeira vez na faculdade de Artes. Criou o Tumblr "Till Lindemann - Poeta Camponês dos Olhos Tristes" sob o pseudônimo Kathrin Täufer em 2012 e a página Rock, Metal e Alternativo Alemão em 2014. Agora, ela segue o trabalho de divulgação das bandas da terra do chopp e do chucrute na LuaSombria.com.br.



2 Responses to Sexo, Pílulas e Metal: entrevista de Till Lindemann para a Rolling Stone

  1. Gabriel says:

    Finalmente achei mais alguém teve uma epifania ouvindo Mein Herz Brennt hahaha,com a diferença da minha ter sido alguns anos depois.Desde lá não paro de procurar Rammstein e bandas parecidas,também me apaixonei pelo idioma alemão depois disso.Obrigado pelo teu trabalho em divulgar isso.

  2. Ana says:

    Eu sinceramente não acredito que Till nem nenhum dos outros homens usem drogas rotineiramente. Pelo menos não mais. No máximo são maconheiros ou viram uma ou duas doses de pinga nas festas, rs. Principalmente por todos terem chegado aos 50 vivos (coisa rara em bandas de rock, principalmente Rammstein que tem um número relativamente grande de integrantes) e também por aparentarem serem homens equilibrados mentalmente. Vemos nas entrevistas que são pouco explosivos e calmos, razão pelo qual eles nunca trocaram de integrantes. E no palco ainda mantém o vigor, não como nos seus 30 anos, mas uma excelente postura e presença para suas idades. Não curto músicos saudáveis romantizando drogas sintéticas.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>

Voltar ao Topo ↑
  • † Siga-nos

    Facebooktwittergoogle_plusrssyoutube
  • † Facebook

  • † Twitter

  • † Parceiros

    Blutengel Brasil - Fã Blog

    Alternativo Alemão

    Insanity BH
  • † Pinterest


UA-20981104-1