Industrial Metal Lindemann - Skills in Pills

Publicado em 23 de junho de 2015 | por Trevor

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Lindemann – Review do álbum “Skills in Pills”, faixa a faixa

Após 20 anos se dedicando ao Rammstein, o vocalista Till Lindemann resolveu dar asas ao projeto paralelo que carrega seu sobrenome. Como parceiro de crime, Lindemann conta com o talentoso músico e produtor Peter Tägtgren das bandas PAIN e Hypocrisy. Till gravou os vocais e Peter foi responsável por toda a parte instrumental, de tirar o chapéu, diga-se de passagem. As letras são em inglês. Algumas profundas e complexas enquanto outras são extremamente bizarras. O álbum não conseguiu deixar a essência do Rammstein de lado, mas há também influências de PAIN. Foi como um estranho casamento entre as duas bandas. Há partes orquestradas que enriqueceram muito o projeto.

Esta é a primeira review do Lua Sombria, e fico feliz poder estreiar falando sobre este ótimo trabalho. A princípio pensei em fazer uma review bem sucinta, mas não resisti e escrevi algo mais detalhado, faixa a faixa. Estou registrando aqui as minhas impressões (que podem ser bem diferente das suas) e relatando a minha leitura a respeito das letras. O interessante da música é que ela pode trazer sensações e interpretações únicas para cada pessoa. Então fique à vontade para concordar/descordar e registrar suas impressões nos comentários. Ah, você também pode avaliar o álbum de 0.1 à 5.0 estrelas no final do post.

1 – Skills in Pills

A faixa-título começa como se a guitarra – num timbre mais leve – estivesse brincando com o sintetizador. Na verdade estão tomando fôlego para a pauleira que começa aos 25 segundos. A partir daí é impossível não comparar ao Rammstein. O peso das guitarras em riffs simples com a bateria marcando passos, como uma marcha, assinam o “tanz metal” presente no decorrer do álbum.

Na sequência, a guitarra faz um som similar a um monitor cardíaco, aparentemente em alusão aos efeitos de pílulas. Skills in Pills – habilidades em pílulas – fala justamente sobre o uso delas: “a primeira eu tomei contra a depressão, a segunda é pura energia…”, e assim no desenrolar da música ele vai usando para fazer sexo a noite toda, para dormir, para aliviar a dor e assim por diante.

No refrão o teclado toca uma sequência bem animada, assim como a entonação que Till usa. É como se ele já estivesse “alto” com as pílulas, descrevendo suas sensações e se extasiando com aquilo tudo.

A música se encerra com todos os instrumentos se calando em luto, com exceção do sintetizador, que remete um coral melancólico. É onde vem o lamento final do nosso personagem: “A branca, para seja qual for minha dor. No final, eu começo a chorar. Então eu tomo a primeira novamente, é a minha última, e eu espero morrer”.

2 – Ladyboy

A segunda faixa já começa tão explosiva quanto a primeira, até a entrada dos vocais onde a guitarra faz uma pausa deixando Till apenas com a bateria, baixo e sintetizador. A guitarra volta no refrão e a música segue com essa intercalação.

A letra dessa música pode causar um certo choque em muitas pessoas (não poderia ser diferente, vindo de Till), mas ainda está longe de ser a faixa mais bizarra do álbum. A canção tem um teor bastante homosexual, onde Tlll (ou o seu “eu lírico”) descreve sua tara sexual pelo(a) “garoto-lady” com trechos bem censuráveis.

3 – Fat

Essa eu considero a faixa mais rica musicalmente falando. Uma admirável sinfonia faz a sua abertura. Me lembrou até a banda de metal gótico/sinfônico Moi dix Mois e também a trilha sonora da série de jogos Castlevania. Os outros instrumentos entram em seguida, acompanhando a orquestra. A intensidade volta a aumentar no refrão, e os versos são mais suaves.

Uma melodia tão bem elaborada e tocante merecia uma letra à altura, mas não é o caso. Essa é uma das poucas críticas que tenho a fazer deste álbum. Nada contra a homenagem de Lindemann às gordinhas (acho que ele quebraria minha cara se eu tivesse algo contra). Entretanto, uma letra mais sombria e complexa se encaixaria melhor aqui, ao estilo da nona faixa, “Yukon“, por exemplo. Em outras palavras, a combinação da melodia e letra, é como preparar uma requintada mesa de jantar à luz de velas para comer miojo. O pior é que acredito muito que todo esse contraste seja proposital.

Lindemann - Skills in Pills 3

4 – Fish On

Aqui a mesma fórmula é mantida. A canção novamente começa suave, apenas com o sintetizador tomando o fôlego para a chegada da bateria e guitarra em peso. A música tem uma atmosfera bem descontraída, que casa com a letra onde ele compara a pesca com saídas noturnas de pegação. “Pegar ladies é o meu prazer, então eu vou pescar pela noite brilhante. Não importa se é negra ou loira, eu joguei minha minhoca na lagoa…”.

5 – Children of the Sun

Essa faixa já começa mais explosiva, e mantém o peso alternando poucas vezes com partes mais suaves. Um detalhe que causa admiração está mais no pano de fundo, onde há vocais femininos que casam perfeitamente com a melodia do teclado. O refrão é marcante!

A letra é no mínimo curiosa. As “crianças do sol”, correm contra o tempo e temem a chegada da noite, pois vivem apenas um dia. Aparentemente é uma referência aos efemerópteros: um grupo de insetos voadores que possuem o tempo de vida mais curto da natureza. “Nós estamos no céu, mas lá não podemos permanecer. Nós vivemos apenas um dia”. Esses insetos vivem apenas para se reproduzirem, praticamente. Eles nem sequer se alimentam! É claro que o real significado da canção pode estar muito além disso (ou não). Acho que só o Lindemann poderia nos dizer.

6 – Home Sweet Home

Pausando a sequência agitada, “Home Sweet Home” é a primeira faixa lenta do álbum (mas não é totalmente isenta de peso). A sexta faixa começa com acordes melancólicos, assim como os primeiros versos cantados por Till. A guitarra vem em seguida bem carregada, porém devagar. A orquestração é suave e soturna. É uma letra mórbida, tratando-se de um terrível e silencioso monstro que pode morar dentro de uma pessoa, crescendo e comendo seus ossos: o tumor.

7 – Cownboy

A faixa começa com um sintetizador bem vibrante. “Cownboy” possui um ritmo mais descontraído. É também uma das músicas mais simples do álbum, tanto na sonoridade quanto na letra. Começa com uma cavalgada e relincho de cavalo que faz parecer que vai tocar “Te Quiero Puta” do Rammstein. É uma canção tão divertida quanto. Fala de um pobre coitado que inveja o poder dos cownboys de pegar qualquer mulher que eles queiram.

8 – Golden Shower

Após os primeiros segundos de “folêgo” (padrão do álbum), a música começa rápida e com o sintetizador animado, junto aquela bateria de marcha caraterística do Industrial Metal. O segundo riff vem acompanhado aos gritos de “Hey! Hey!” que ficam perfeitos num show ao vivo. O vocal do Till entra apenas com teclado e baixo, onde ele começa a proferir sua perversão altamente bizarra.

Sério! Essa sem dúvida leva o prêmio de canção mais bizarra do álbum. Basta um pouco de maldade para entender do que se trata o “banho dourado”. O interessante é a forma poética em que ele fala sobre sua tara com o banho de urina: “Beijos frescos que fluem de seus quadris, e se parecem com fadas voando. Olhos e lábios úmidos e macios, é como o choro dos anjos”. A música se encerra com o som de urina.

9 – Yukon

Essa é uma das que merecem destaque. É encantador, diabólico e sombrio. Inicia-se com uma agradável passagem de piano, e então entra o vocal de Till com o violoncelo no fundo dando um clima de mistério. A entonação de Lindemann não é tão cantada. Se parece mais com uma oração de louvor:

Sua alma é negra
O seu sangue é frio
Sua pele é áspera
Você tem um coração de ouro
Seu rosto
é tão escuro
Com o cabelo pegajoso
Acima de sua carne
Há criaturas molhadas em toda parte
Dá-me um calafrio

Em seguida vem um dos refrãos mais carregado de feeling que eu escutei nesse álbum. A guitarra em conjunto com o teclado também cria uma atmosfera impressionante. E assim a música segue intercalando as “orações” de Lindemann como verso e o marcante refrão. Nas últimas partes a orquestração se destaca mais, deixando a canção ainda mais bela.

Uma curiosidade, Yukon é um grande rio localizado na província de mesmo nome no Canadá. Foi encontrado na região ao norte de Yukon uma grande quantidade de ossos modificados e de traços humanoides, que possui entre 25000 e 40000 anos de idade. O nome Yukon vem de um dos idiomas aborígenes locais, o gwich’in, cujo significado é “grande rio”.

10 – Praise Abort

Como sabem, essa foi a faixa escolhida como single e videoclipe. O início é falado, em seguida vem o sintetizador com a bateria criando um ritmo mais dançante (lembra do Till dançando de branco, com direito a moonwalk, no início do clipe? :) ). O sintetizador soa engraçado na música quase toda. A guitarra aparece mais no refrão, que termina com o Till gritando “praise abort” com a mesma equalização que ele usa na música “Pussy” do Rammstein. A música soa engraçada, exceto por um trecho mais sombrio com vozes femininas no fundo (parecendo até como crianças cantando), onde ele canta:

Então diga adeus, diga adeus
Nós iremos nos erguer até o céu
Diga adeus, nós iremos voltar
Em breve, como belas borboletas
Fazendo você chorar

Embora a música possa parecer engraçada, eu a considero bizarra e trágica. A letra em si possui um certo humor negro, que corrobora com a instrumentação animada. No final das contas, é uma soma de contrastes embalsamados na polêmica. Um cara que gosta de foder sem camisinha, teve 6 filhos que o tratam como merda. Além disso, ele também é corno: “eu odeio minha mulher, e o namorado dela também”. Seu casamento e filhos consomem todo seu dinheiro e felicidade. Ele é tão infeliz que chega a conclusão de que o aborto vale a pena “eu nunca pensei que apoiaria o aborto” (ele faz isso no clipe com um soco na barriga), pois afinal a vida seria melhor sem filhos. Por isso ele também se vê forçado a se afastar de relações sexuais com mulheres (e vira gay?).



11 – That’s my Heart

O álbum se encerra com essa bela e melancólica canção, que se inicia com o piano e o vocal com uma entonação mais pesarosa. É a música mais lenta do disco, onde o piano, violino e violoncelo aparecem mais vezes do que a guitarra.

A letra é complexa, mas ainda sim vou arriscar uma leitura. Ela aparenta falar sobre alguém apaixonado por uma pessoa de coração valioso, mas ferido por sofrimento e violência. A parte do refrão onde se canta o nome da música “Este é o meu coração” é cantado por vozes femininas. Muitas vezes o personagem de Till diz “seu coração é um diamante, todo homem/alma deseja roubá-lo”. O final disso tudo me parece trágico, pois o protagonista tenta roubá-lo literalmente:

Eu lambo seu coração, eu provo a dor
Prove seu sangue, ele parece o mesmo
Eu beijo sua pele, seus lábios amargos
Não há luz no fim do túnel
Entre suas nádegas

Lindemann – Review do álbum “Skills in Pills”, faixa a faixa Trevor

Avaliação

Vocais
Instrumental
Letras
Originalidade

Resumo: Os vocais de Till dispensam apresentações. Mesmo cantando em inglês, ele não perde a "rudez" de sua língua pátria que tanto se encaixa ao estilo NDH. Peter fez um admirável trabalho com a parte instrumental, de tirar o chapéu! Mas faltou inovação. Eles não saíram da zona de conforto e não arriscaram algo incerto como o parceiro de banda do Till, Richard Kruspe, fez no Emigrate. Ainda sim, um ótimo álbum que certamente irá agradar muito aos fãs de Industrial Metal.

4

Ótimo


Avaliação dos Leitores: 4.2 (18 votes)

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Sobre o Autor

Desenvolvedor de sistemas web, fascinado por estórias sobrenaturais e música obscura. Criou o Lua Sombria para divulgar informações sobre bandas, livros, jogos de RPG e trocar idéias com pessoas que compartilham esses mesmos vícios.



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