Gothic Metal 10155385_731222880232076_2391111133275818569_n

Publicado em 10 de agosto de 2012 | por Trevor

1

Semblant – Entrevista com o vocalista Sergio Mazul

 

“Um vírus está queimando minhas veias.Minhas lágrimas são drenadas com o tempo…”

A banda Semblant foi formada no ano de 2006 em Curitiba/PR e é considerada um dos expoentes do Dark/Gothic Metal Nacional. Já abriu shows para grandes nomes do Metal como Nightwish e Tristania. Em 2009, foi vencedora da seletiva paranaense do Wacken Metal Battle. Seu álbum de estréia, Last Night Of Mortality, foi lançado em 2010. Recentemente a banda lançou a música Throw Back to Hell, trilha sonora do evento XTreme Fighter Championship e aperitivo para o próximo álbum:

 

 

As músicas do Semblant são inspiradoras para quem aprecia o Metal em suas sombras mais densas, e também aos aficionados por histórias de horror. O joguete de palavras incorporadas em suas letras remetem o símbolo da máscara, que representa a natureza obscura que está, por vezes, presente em nosso comportamento. Minha experiência ao interpretar as entrelinhas nas músicas me fez associar automaticamente ao consagrado RPG de Vampiro, sendo uma ótima opção de trilha sonora para uma sessão desse jogo.

Essa foi minha visão com relação à banda. Contudo, meu objetivo esta noite não é apenas deixar minha humilde opinião pessoal. O post de hoje é especial, pois trago à vocês a palavra do vocalista Sergio Mazul, quem nos deu a honra de uma entrevista. Sergio nos fala sobre a banda, suas inspirações, perspectivas para o Semblant, situações inusitadas e visão sobre sucesso. Confira:

 

Como surgiram as primeiras idéias que deram vida ao Semblant?

Sergio Mazul: bom, as idéias sempre existiram, mas foi a progressão em nossa maturidade musical que fez o contexto da Semblant tomar forma. Eu, pessoalmente falando, sempre fui fã de filmes de horror, literatura gótica e vampírica e sempre curti bandas de rock e metal – além claro, de bandas de outros estilos, que dessem prioridade a temática e atmosferas obscuras. Como vivemos em um mercado saturado e como sempre curtimos bandas muito diferentes, resolvemos ir em busca de uma identidade própria dentro dos contextos que citei…e o resultado é o que você pode conferir hoje, em nossos trabalhos já lançados.

As músicas do Semblant são ricas não só em som, mas também em conteúdo. As canções abordam temas vampíricos e também falam sobre sentimentos sombrios de uma forma poeticamente agradável. Como é o processo de composição das letras, de onde vem as inspirações?

Sergio Mazul: As inspirações vem do cinema, de interpretações próprias de diversos livros e de diversos autores, graphic novels, fatos apocalípticos e caóticos vindos da ciência e quaisquer estudos acerca do universo que nos dêem uma visão obscura sobre o futuro do homem. Bandas diversas nos influenciam e para as letras, posso te dizer que até games do gênero horror nos influenciam, como Silent Hill, Castlevania e muitos outros: qualquer enredo interessante deixa a imaginação aguçada. Acredito que os temas que permeiam por mais tempo em nossos pensamentos, se transformem em música nos mais diversos momentos: antes de dormir ou no momento em que acordamos, por exemplo. Alguma reflexão interessante “passeia” pela mente ou algum tema deixa sua marca por mais tempo nos pensamentos e facilmente, registramos em forma de letra ou rimas. Acho que é a maneira mais direta e realista de responder sua pergunta.

 

A música recém-lançada Throw Back To Hell me deixou com uma ótima expectativa sobre o que há por vir. Como estão os preparativos para o lançamento do próximo álbum? Já há um nome definido?

Sergio Mazul: Temos cerca de 8 músicas prontas e pelo menos mais 8 em andamento, tomando forma e sendo trabalhadas simultaneamente. A idéia é chegarmos em uma marca de 11 composições para o disco, mas iremos trabalhar em mais idéias para podermos selecionar o que mais achamos digno de figurar no novo álbum; lógico, amamos todas as nossas composições, mas aumentamos muito nosso critério de seleção. Sobre nomes, temos opções e um em especial que está mais em voga para ser escolhido; porém, ainda guardamos ele a 7 chaves. Informaremos no momento mais oportuno, com certeza.

 

Ao ouvir o próximo álbum, você acredita que as pessoas terão qual experiência ao viajar nas letras e arranjos?

Sergio Mazul: Difícil dizer, pois cada um tem sua própria experiência ao ouvir um trabalho. Cada ouvinte experimenta sensações diferentes, mas no geral, a intenção é fazer todos apreciarem belas melodias que se misturam com passagens bem aterradoras, extremas e sinistras. Nosso próximo disco será uma montanha-russa infernal: hora será muito pesado, hora será muito melódico, o tempo todo terá uma atmosfera densa e noturna e lhe garanto que nenhuma letra será bondosa, piedosa, amável e tranquila: todo contexto lírico é absolutamente maligno. Veja bem, não estou dizendo satânico. Estou dizendo maligno, pessimista, aterrador, muitas vezes realista e muitas outras, fantástico, porém o tempo todo baseado no sobrenatural ou no obscuro.

 

Para você, qual é a melhor parte em ser um músico ou fazer música?

Sergio Mazul: É transformar suas idéias e sentimentos, geralmente impossíveis de definir ou explicar para o mundo exterior, em algo real. Em uma obra. Fazer as pessoas admirarem uma arte tal qual uma pintura, uma escultura, mas em forma musical, em forma imaginativa, algo muito mais intenso: com a música, você constrói pontes entre mundos. É o seu emocional e sentimental alcançando o outro extremo, que é o emocional e sentimental de tantas outras pessoas.

 

Qual foi a situação mais louca que você já presenciou em algum show?

Sergio Mazul: Difícil dizer. Mas posso afirmar que ver uma banda relativamente famosa, que não posso revelar qual é, revoltada com certas condições precárias de um certo festival que envergonhou todo o Brasil, gritando e quebrando o que podia nos bastidores, foi mesmo algo ao mesmo tempo desconcertante e divertido de se presenciar.

 

Como você vê o Semblant daqui a cinco anos?

Sergio Mazul: Com pelo menos mais 3 álbuns completos lançados e distribuídos ao redor do mundo, além da possibilidade de nos apresentarmos em palcos e eventos com os quais estamos sonhando desde o início de nossas carreiras. Acredito que com 3 ou 4 álbuns estúdio bem aceitos pela banda e pelo público, evolução e a divulgação e promoção corretas, poderemos alcançar essas metas naturalmente.

 

A internet hoje facilita (e muito) a cópia e distribuição de música. Na sua visão, isso se torna uma ajuda ou um empecilho para quem quer viver de música?

Sergio Mazul: Ajuda, sem dúvida. Em um mercado tão concorrido, aqueles que alcançam um maior número de pessoas e movimentam um cenário mais abrangente, chegam na frente. A internet interliga músicos, público, empresários, mídia, gravadoras, enfim, todas as engrenagens necessárias para que as coisas funcionem ao redor do globo. Cabe a nós termos idéias que sejam diferenciais e que se sobressaiam, seja para vender CDs, músicas isoladas, shows ou o que mais for necessário para sua obra ser reconhecida e manter-se ativa.

Você tem o iTunes, a possibilidade de vender seu CD pela internet de forma direta e controlada pela banda, bem como qualquer merchan da banda, pode montar promoções visando esvair qualquer material que possa estar girando menos, enfim, basta pensar um pouco que a internet acaba virando sua melhor amiga.

 

Para você, o que é ter sucesso?

Sergio Mazul: Amar absolutamente o que você faz e comprovar que seu amor é compartilhado e gera frutos diversos. Poder viver dia após dia fazendo o que mais você ama, sem desconforto, sem situações precárias ou humilhações, apenas colhendo frutos de seu suor e de seus objetivos alcançados. Quem almeja fortuna maior que essa não é um sonhador em busca de sucesso, é um materialista em busca de um conforto momentâneo que irá ser devolvido para a terra com ele, quando sua caminhada mortal encerrar.  O legado e a marca deixadas por algo que você construiu/gerou com sua própria inspiração, perdurando mesmo após a sua morte, é uma prova imortal de sucesso.

 

 

——-

Aqui deixo meus agradecimentos ao Sergio Mazul e à vocalista Mizuho Lin pela atenção. Também ao Juliano Ribeiro (guitarra), Sol Perez (guitarra), Rhandu Lopez (bateria), J. Augusto (teclados) e Rodrigo Garcia (baixo) por nos trazer este ótimo som inspirador!

Site oficial da banda: www.semblant.com.br


Sobre o Autor

Desenvolvedor de sistemas web, fascinado por estórias sobrenaturais e música obscura. Criou o Lua Sombria para divulgar informações sobre bandas, livros, jogos de RPG e trocar idéias com pessoas que compartilham esses mesmos vícios.



One Response to Semblant – Entrevista com o vocalista Sergio Mazul

  1. Marcelo says:

    Baita banda curto muito o som deles, tanto com a primeira vocalista quanto com a Misuho, são bem reconhecidos lá fora, é só ver os comentários nos vídeos do Youtube.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>

Voltar ao Topo ↑
  • † Siga-nos

    Facebooktwittergoogle_plusrssyoutube
  • † Facebook

  • † Twitter

  • † Parceiros

    Blutengel Brasil - Fã Blog

    Alternativo Alemão

    Insanity BH
  • † Pinterest


UA-20981104-1