Contos Coffee Cup

Publicado em 15 de julho de 2012 | por Trevor

Passaporte para o Inferno

Rodrigo pediu mais um café expresso. Estava curioso sobre o porquê de Marcone ter marcado o encontro dessa vez em uma cafeteria. Pelo menos agora ele se sentia mais confortável do que na boate estranha em que havia se encontrado com a criatura na última vez. A tal casa noturna se parecia com uma caverna grotesca, tocava músicas bizarras e todas as pessoas vestiam-se de preto. Havia um cara com o rosto coberto de piercings, parecia um chocalho do demônio.

Mergulhado em suas lembranças, Rodrigo não percebeu a chegada de Marcone, que agora já se encontrava sentado à sua mesa. Rodrigo ao voltar para a realidade e se deparar com aquele rosto morbidamente pálido, não pode conter a reação causada pelo susto. Marcone sorriu exibindo os dentes alvos com os caninos pontiagudos se destacando.

– Boa noite, meu jovem traficante! – saudou o vampiro mantendo seu sorriso sarcástico – Lamento em ver que não gostou do local escolhido em nosso último encontro.

– Negócios são negócios Marcone, nem sempre o local escolhido importa. Já cumpri com minha parte do acordo. Você veio para cumprir com a sua parte?

– Gosto do seu estilo Rodrigo. Você vai direto ao ponto. Sim, vou cumprir com minha parte, mas depois que você me fizer um último favor.

– Sem essa Marcone! Você precisa me imortalizar logo! Em pouco tempo estarei debilitado por essa merda de doença e não vou poder fazer mais favor nenhum para você!

– Considere essa então uma boa motivação para fazer o que vou te pedir agora. Vai lhe tomar pouco tempo. Lembra-se do Igor?

– Aquele playboy que compra heroína na minha mão toda semana? Como eu poderia me esquecer?

– Então, preciso que você venda esta “heroína” para ele na próxima vez. – ordenou Marcone entregando um pequeno frasco para Rodrigo.

– Cara, isso não é heroína. Tem um brilho estranho… isso me parece ser uma daquelas químicas sobrenaturais feitas pelo Dorival. Que diabos isso faz?

– Vai ser melhor para você se não souber. Apenas venda isso pro Igor, e então eu lhe darei a cura para sua doença.

– Você vai matar o Igor com essa porra? O cara é um dos meus melhores clientes!

– Está mais preocupado com seu dinheiro, ou com esse câncer crescendo e se espalhando em seu corpo?

–Tudo bem, eu vendo pra ele! Mas te aviso que se eu morrer por você não ter cumprido com sua promessa, vou fazer de tudo para voltar do inferno e te atormentar até o fim dos seus dias aqui na Terra, vampiro maldito!

– Hahahaha! – Riu Marcone se divertindo com o comentário do pobre humano. – Tenho mais influência no mundo espiritual do que neste, meu jovem moribundo. Nunca conseguiria me perturbar. Bom, chega de papo. Faça o que eu mandei e me encontre aqui na próxima semana, eu irei lhe entregar o presente das trevas.

Sem esperar alguma resposta ou reação, o vampiro virou-se de costas e saiu da cafeteria. Minutos depois, Marcone já se encontrava em seu refúgio. Faltando pouco tempo para o sol nascer, ele se deitou para que seu corpo maldito pudesse se recuperar para a próxima noite. Ao fechar os olhos, Marcone se projetou para fora do corpo, indo para o plano espiritual. Contra sua vontade, foi mais uma vez foi arrastado para o umbral onde Lúcio comandava.

O lugar era mais lúgubre do que qualquer lugar existente na Terra. Centenas de espíritos gritavam em sofrimento compondo um coro macabro e disforme. Sobre um trono de crânios, Lúcio estava sentado happy wheels demo com uma súcubo sentada ao seu colo. Ao notar a esperada chegada do Marcone, o espírito das sombras perguntou com sua voz gutural:

– Entregou o frasco para o humano?

– Sim, na próxima sexta-feira ele irá injetar a droga no corpo. Então você estará livre para agir.

– Ótimo!

Já era quase meia-noite. Igor dirigia o Honda Civic em direção ao seu luxuoso apartamento localizado em um bairro nobre da cidade. No banco de trás, haviam três lindas mulheres tomando vodka e se beijando ardentemente. Igor assistia a deliciosa cena atráves do espelho retrovisor. Mal esperava para chegar ao seu destino e participar da brincadeira.

Algumas horas depois, Igor estava em sua cama tomando uma dose de vinho enquanto as três mulheres dormiam nuas ao seu lado. Mesmo após ter se deleitado com elas por um longo tempo, Igor procurava mais prazeres. Afinal, ele tinha poder e dinheiro para aproveitar tudo que o mundo poderia lhe oferecer. Ele se levantou e abriu a gaveta onde guardava sua seringa. Em seguida, pegou a jaqueta que estava jogada num canto do quarto e retirou o frasco que havia comprado na mão de Rodrigo naquela mesma noite. Ele não tinha como perceber, mas Lúcio estava no mesmo quarto, o observando com um sorriso macabro.

Depois de puxar o conteúdo do frasco para a seringa, Igor pegou um elástico e amarrou no braço. Em seguida, injetou o líquido infernal em sua veia e logo sentiu seu corpo ser dominado por uma euforia que jamais havia sentido antes. Se tivesse em condições de raciocinar, certamente se perguntaria onde Rodrigo conseguira aquele tipo de heroína, pois era a melhor que havia provado.

Igor corria de um lado para o outro do apartamento, até enroscar o pé no sutiã de uma das garotas e cair no chão. Não se levantou, mas continuou gargalhando descontroladamente enquanto rolava para os lados. De uma forma bizarra, o garoto intercalou suas gargalhadas com um choro repentino e convulsivo. Sua euforia se transformou em uma depressão profunda. Minutos depois, seu sangue começou a congelar dentro das veias. Ele assumiu uma posição fetal numa tentativa inútil de se proteger do frio que sentia. Seu coração começou a disparar. Seus membros começaram a formigar. O corpo de Igor suava. Uma espuma esverdeada começou a sair de sua boca e seus olhos ficaram inteiramente brancos.

Depois de longos minutos de sofrimento que pareciam durar uma eternidade, Igor sentiu-se leve, como se estivesse flutuando. Abriu os olhos e viu seu corpo caído próximo à cama. Uma criatura horrenda se aproximou do corpo caído ao chão, que transformando-se em vapor entrou e apoderou-se do mesmo.

Uma das garotas deitadas na cama acordou. Depois de olhar para a seringa no chão e ver Igor se levantando, ela indagou:

– Está se divertindo sozinho, meu anjo? Por que não me oferece um pouco do seu brinquedo?

Igor mantinha-se em silêncio. Seus olhos tinham um leve brilho rubro. Um cheiro de enxofre começou a tomar conta do quarto. Ele então sorriu maliciosamente e disse com uma voz que fez a garota se arrepiar dos pés a cabeça:

– Sim… podemos nos divertir!

 

Crédito da imagem: http://timmlion.deviantart.com/art/syringe-53415561

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Sobre o Autor

Desenvolvedor de sistemas web, fascinado por estórias sobrenaturais e música obscura. Criou o Lua Sombria para divulgar informações sobre bandas, livros, jogos de RPG e trocar idéias com pessoas que compartilham esses mesmos vícios.



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