Contos O Serviço

Publicado em 8 de julho de 2011 | por Trevor

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O Serviço

 

“Um trabalho pode ser mais sujo do que aparenta ser…”

Felipe estacionou a Van. Desceu do veículo olhando com cautela para os lados, afinal estava em um daqueles bairros desertos onde qualquer um que apareça andando  é suspeito. Do outro lado da rua, estava a residência semi-coberta pelas sombras, quase se mesclando com a escuridão da noite. Era onde Felipe iria fazer o serviço. Ele abriu a traseira da Van e retirou a caixa de ferramentas que iria usar nos reparos. Prendeu o crachá da companhia de TV a Cabo na camisa do uniforme e atravessou a rua. Frente à casa, esticou o braço em direção a campainha, mas antes que ele tocasse a porta se abriu seguido de uma voz feminina:

— Você esta atrasado!

Felipe permaneceu imóvel observando a mulher de cabelos negros e pele alva. Seus olhos eram azuis bem claros, quase brancos. O mais curioso é que ela deveria estar tremendo com a baby doll vermelha e semi-transparente que estava usando naquela noite fria.

— Vamos, entre. Ou vai ficar aí parado a noite toda? — Disse a mulher.

— Per… Perdoe-me senhora. — Respondeu Felipe com a voz trêmula.

— Senhora está no céu, e eu prefiro estar no inferno. Portanto me chame apenas de Verônica. Siga-me, vou leva-lo até a TV. Essa droga de aparelho não funciona desde o início da noite.

Felipe seguiu Verônica timidamente enquanto seus olhos deslumbravam a casa que parecia ao menos duas vezes maior do lado de dentro. Haviam muitas cortinas rubras, assim como os tapetes. A mobília era grande e aparentava ser antiga. A maior parte da iluminação vinha de velas acesas em candelabros espalhados pela casa, decorando o ambiente com penumbras.

— Aqui está. — Disse Verônica mostrando a TV LCD de 40 polegadas.

Felipe repousou a caixa de ferramentas no chão. Olhou atrás do televisor e fez seus ajustes em menos de um minuto. Pegou o controle remoto e ligou o aparelho. Depois de  “zapear” alguns canais disse:

— Está pronto Srta. Verônica. Era só um cabo desconectado. — Mas não houve resposta. Já não havia mais ninguém na sala.

— Srta. Verônica? — Continuou procurando, olhando para os lados, andando de vagar e sem jeito. Os minutos se passaram e Felipe parecia querer abandonar a casa, mas Verônica apareceu subitamente atrás dele segurando duas taças de vinho:

— Desculpe a demora. Fui buscar um drink para nós, mas tome só depois que terminar o serviço, ok?

— Mas eu já terminei Srta. Verônica.

— Hum… Aprecio sua eficiência. Então vamos, beba!

— Desculpe Srta. Verônica, mas eu não bebo. – recusou Felipe afastando-se um passo. Verônica se aproximou, e quase encostando sua boca nos lábios dele disse:

— Já falei, me chame apenas de Verônica. E se você não bebe, deixe-me retribuir de outra forma.

Em seguida beijou Felipe, que por sua vez a segurou pela cintura juntando seu corpo ao dela. Verônica passou a beijar seu pescoço, a boca dela tomou uma pequena distância armando o bote. Os caninos pontiagudos cresceram, mas antes de ela investir o beijo da morte, Felipe se afastou abraçando-a por trás. Ele então beijou o pescoço de Verônica e com a mão esquerda, acariciou seu ventre, subindo a parte de cima da baby doll lentamente. Ela inclinou a cabeça para trás e fechou os olhos enquanto Felipe deslisava a língua sobre a orelha de Verônica, fazendo ela soltar um excitante suspiro. No mesmo momento ele enterrou uma estaca no coração da vampira, e o delicioso suspiro se transformou em um grito horrendo. Verônica caiu inerte sobre o tapete vermelho carregando uma expressão macabra no rosto.

Felipe sorriu. Virou as costas, pegou sua caixa de ferramentas e voltou para a Van. Retirou as chaves do bolso e abriu a parte de trás do veículo, pegando um galão de gasolina e uma Katana. Ao voltar para o recinto, decapitou Verônica fazendo um filete de sangue negro respingar em sua face. Depois despejou toda a gasolina sobre ela, deixando um rastro até à saída. Em seguida arremessou o galão vazio, acendeu um cigarro e pegou o vinho que Verônica oferecera. Chegando à saída, lançou um último olhar para o monstro decapitado e ergueu a taça dizendo:

— Um brinde my lady! Dr. Willian mandou lembranças.

Depois de dar apenas um trago, jogou o cigarro aceso no rastro de gasolina que incendiou instantaneamente. Felipe deixou o lugar tomando o vinho enquanto Verônica ardia em chamas junto com seu covil. O serviço estava feito.


Sobre o Autor

Desenvolvedor de sistemas web, fascinado por estórias sobrenaturais e música obscura. Criou o Lua Sombria para divulgar informações sobre bandas, livros, jogos de RPG e trocar idéias com pessoas que compartilham esses mesmos vícios.



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