Contos gothic love

Publicado em 14 de setembro de 2012 | por Trevor

Noite Nefasta

“O perigo não está em confiar nas pessoas, mas sim na criatura que há dentro delas.”

Depois de beber e dançar ao som das músicas de Blutengel, The Crüxshadows e L’âme Immortelle, Lucas e Amanda decidiram sair da casa noturna e apreciar o ar da noite. O vento gélido não afetava Lucas, que usava um sobretudo negro. Amanda contava com os calorosos abraços de Lucas para se proteger do frio. E assim, o casal gótico caminhava tranquilamente pelas ruas desertas da cidade durante a madrugada, sem se preocupar com os perigos que cada sombra poderia oferecer.

Depois de quase uma hora caminhando a esmo, o destino os conduziu até as proximidades de um belo cemitério. Os túmulos de mármore negro em conjunto com as estátuas e crucifixos eram atrativos irresistíveis ao casal de aspecto mórbido. Lucas não precisou dizer uma palavra sequer para convidar sua amada, bastou apenas uma troca de sorrisos e ambos aderiram a intenção de transpor as grades do cemitério.

Com um pouco de esforço, Lucas e Amanda já estavam do lado de dentro. Não era a primeira vez que eles realizavam esse tipo de invasão noturna. A luz da lua cheia iluminava o caminho entre os túmulos, além de destacar a grama umedecida pelo sereno. Durante a caminhada, o casal se deparou com uma garrafa de vinho em cima de um jazigo, que por sinal era um dos mais elegantes do cemitério. Amanda brincou dizendo que a garrafa de vinho tratava-se de uma macumba. Os dois riram e a abriram sem preocupações.

Depois de consumir todo o vinho da garrafa, o álcool subiu-lhes à cabeça. Lucas se aproximou de Amanda e inspirou suavemente o perfume em seu pescoço, causando arrepios em sua pela alva. Ele então a segurou pela cintura e a trouxe para junto do seu corpo. Um excitante calor percorreu o corpo de Amanda, que começou a beijar o pescoço de Lucas, intercalando com leves mordidas,  sentindo o gosto do vinho invadir seu paladar. O sabor era viciante e sobrenatural, algo que ela jamais havia provado.

Amanda mordia o pescoço de Lucas com mais força, pois precisava sentir esse sabor mais e mais! Seus instintos diziam que por baixo daquela pele, ela encontraria a fonte desse delicioso sabor. Foi quando seus dentes rasgaram a carne do pescoço de Lucas fazendo-o gritar de dor. Algo no fundo da mente dizia à Amanda para parar de dilacerar o pescoço de Lucas, mas o sangue com gosto de vinho descendo por sua garanta fez essa voz se calar. Lucas tentou empurrar Amanda numa tentativa de afastá-la; ela entretanto agarrou seu pescoço e cravou as unhas afiadas rasgando ainda mais a ferida.

Para se proteger, Lucas apanhou a garrafa de vinho vazia e quebrou na cabeça de Amanda, que por sua vez cambaleou e caiu desacordada na grama do cemitério. Alguns cacos de vidro permaneceram estacados na testa da garota, enquanto o sangue rubro manchava seu delicado rosto. Um frio percorreu a espinha de Lucas,  e ele se ajoelhou em prantos ao lado do corpo de sua amada.

O sangue não parava de escorrer do pescoço de Lucas. Sua camisa encontrava-se ensopada e uma forte vertigem começou a atordoá-lo. Era preciso ir até um hospital, mas como explicar essa história toda? Lucas pensava desesperadamente sobre o que poderia fazer. Amanda, de um modo repentino, agarrou novamente seu pescoço, dessa vez atingindo sua traquéia. Sem que ele pudesse reagir novamente, a garota arrancou seu lábio inferior com outra mordida, enquanto as unhas rasgavam profundamente sua barriga.

Lucas juntou as últimas forças para enfiar a garrafa de vinho quebrada no ventre de Amanda, que logo sentiu o vidro perfurando sua carne e rompendo os músculos do abdômen. O berro de dor ecoou pelo cemitério. Ambos desfaleceram ao chão, em meio à uma grande poça de sangue.

Por trás de uma das tumbas, saiu o velho coveiro do cemitério carregando um sorriso macabro no rosto. Segurando a garota pelo pé, ele a arrastou até uma cova aberta, deixando um rastro de sangue manchar o gramado. Em seguida fez o mesmo com o corpo de Lucas, e os enterram juntos. Para finalizar o serviço, o coveiro deixou uma garrafa de vinho em cima do túmulo onde os dois estavam enterrados. Depois se recolheu, desaparecendo entre as sombras.

Crédito das imagens:


Sobre o Autor

Desenvolvedor de sistemas web, fascinado por estórias sobrenaturais e música obscura. Criou o Lua Sombria para divulgar informações sobre bandas, livros, jogos de RPG e trocar idéias com pessoas que compartilham esses mesmos vícios.



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