Contos A outra

Publicado em 14 de julho de 2013 | por Trevor

A Outra

 

“A única forma de nos livrarmos de uma tentação, é caindo nela” – Oscar Wilde

 

– Sabe Marcela, estou de saco cheio dessa farsa. Vamos assumir que estamos juntos! Quero que você seja a única pra mim. – Disse Renan, fitando os olhos da ruiva enquanto segurava seu copo de vodka.

– Já ouvi essa conversa antes. Você não vai largar ela e eu vou continuar sendo “a outra”. Olha, eu não me importo mais, já aceitei isso. Não precisa tentar me iludir.  – Respondeu Marcela após tragar seu cigarro.

– Você não está entendendo. Já dei um fim em Laila. Terminei com ela ontem, de verdade. Tô falando sério!

A provocante mulher ruiva esfregou o cigarro no cinzeiro, apagando o que restara da brasa. Após um breve e perturbador silêncio, ela comentou:

– Vocês ainda voltam. Não é a primeira vez que tenta se livrar de Laila.

– Dessa vez não tem volta – retrucou Renan imediatamente – mesmo se eu quisesse, eu não poderia voltar pra ela.

– Chega dessa palhaçada Ren… – as palavras de Marcela foram interrompidas pelo beijo súbito de Renan. E ele não se conteve em apenas um beijo; queria ir além. Sua mão direita tocou a coxa da ruiva e deslizou subindo o vestido justo, exibindo boa parte de suas pernas e atraindo o olhar das pessoas que estavam no bar. Percebendo isso, Marcela segurou a mão de Renan antes que suas peças íntimas ficassem à mostra ao público (não que ela se importasse muito com isso). A ruiva imediatamente puxou o homem pela gravata e o conduziu para o carro – onde pôde extravasar parte do seu desejo.

Ainda sob efeito do álcool e da luxúria, Renan dirigiu o veículo até seu apartamento, onde poderia terminar junto com Marcela o que começaram no bar. Ambos perderam o jogo das pernas e caíram enquanto subiam as escadas. Contudo, aproveitaram-se do pequeno incidente para tirar mais alguns amassos ali mesmo onde estavam, com o perigo de serem vistos por algum vizinho.

Alguns minutos depois, Renan estava girando a chave pela fechadura da porta. O apartamento não estava tão aconchegante como de costume. Haviam roupas jogadas pelo chão e moscas voando em volta das louças sujas na cozinha. Talvez a escuridão do recinto impedia sua amante de ver mais desordem.

Marcela estava embriagada o suficiente para não se importar com o cenário. Renan, que a carregava nos braços, jogou a mulher em cima da cama. Abriu a gaveta do criado-mudo retirando um par de algemas. A ruiva sorriu maliciosamente. Ela adorava quando o via possuído daquela forma. Encenou então uma cara de “garota inocente em apuros” dizendo:

– Oh não, o que vai fazer comigo? Quer me violentar? – Sua última frase soou mais como um pedido do que como uma pergunta

 

 

Renan sorriu de forma diabólica e algemou os punhos de Marcela na cabeceira da cama, enquanto ela o envolvia com suas pernas. Ele por sua vez mordiscou o pescoço da ruiva e sentiu a respiração dela ficar mais ofegante. Seus dedos alcançaram o ponto mais delicado de Marcela. Ele sabia exatamente onde tocar para fazê-la perder o controle. Ela sentiu um forte impulso de arranhar as costas dele com suas afiadas unhas, mas estava contida pelas algemas – isso a fazia se sentir frustrada, e ao mesmo tempo excitada.

Renan retirou o que restava dos trajes de Marcela e se despiu completamente. Ela já não aguentava mais o desejo de avançar para o próximo nível daquele jogo de dominação. Ele então segurou as pernas de Marcela, tranzendo seu corpo ao encontro dele. Mas algo o fez parar. Devido a iluminação escassa, Marcela não pode ver a palidez que tomara conta da face de seu homem. Mas ele olhava para o lado, com os olhos arregalados, quase entrando em estado de choque.

– Não… não pode ser você… – disse Renan com a voz trêmula – Eu te matei! Eu eu vi você morrendo com meus próprios olhos! Você não pode estar viva!

A última frase de Renan saiu como um grito de desespero. Marcela então olhou para o lado e viu a silhueta de Laila. Uma descarga de adrenalina foi despejada em seu corpo ao ver os olhos brancos e reluzentes da mulher que fora traída. Olhando com mais atenção, Marcela pôde ver inúmeros cortes abertos na pele de Laila, sendo que o maior deles atravessava o pescoço na horizontal. Em seu peito, havia uma enorme faca estacada. Da sua boca escorria o sangue escuro e viscoso que se espelhava pelo vestido que um dia já fora branco.

 

 

Laila puxou a faca do seu peito, fazendo mais sangue escorrer. Renan tentou fugir, abandonando sua amante algemada na cama, mas tropeçou em sua própria calça que estava jogada no chão e caiu batendo a cara contra a cômoda do quarto. Ele levou a mão no rosto ensanguentado enquanto o grito de dor escapava de sua garganta. Lágrimas desciam pelo rosto de Marcela que só pôde assistir a cena enquanto estava algemada. Laila começou a rir exibindo seus dentes quebradiços. O riso deu lugar à uma ensurdecedora gargalhada insana.

Quando Renan retirou as mãos do rosto, Marcela caiu num pranto convulsivo. O nariz dele estava irreconhecível – reduzido à uma massa de carne e cartilagem empapada de sangue. Laila, ainda sorrindo de forma macabra, disse:

– Lembra quando você sugeriu uma diversão a três Renan? É o que estamos fazendo agora!

Renan não conseguia responder. Também não conseguia reagir e tampouco fugir. Laila caminhava lentamente até ele. Seus olhos arregalavam cada vez mais a cada passo que a morta-viva dava em sua direção. Ela sentia o cheiro do medo que infestava o quarto, e aquilo a excitava. Seu alvo estava escorado na parede, com o sangue descendo pelo que sobrou do nariz e lágrimas escorrendo dos olhos apavorados. Para dar o toque final no rosto de Renan, Laila chutou com vontade a boca do coitado, arrancando alguns dentes e deslocando a mandíbula.

Quando ele estava quase perdendo a consciência, Laila o ergueu puxando pelos cabelos. Ela pode ver nos olhos de Renan que ele implorava por misericórdia. Mas agora era tarde demais para qualquer perdão. Era o momento de saborear a vingança. Aproximando-se do rosto de Renan, ela falou:

– Esta noite querido, sou eu quem irá penetrá-lo.

E assim ela fez com sua faca. Abriu um corte horizontal na barriga do traidor, deixando parte de suas vísceras à mostra enquanto mais sangue inundava o chão do quarto. Sem forças para gritar, Renan foi ao chão enquanto a vida se esvaía do que restara de seu corpo.

Laila deslizou a língua sobre o rosto de Renan para sentir o gosto do sangue. Não satisfeita, ela o mordeu arrancando pedaços de sua carne e ingerindo. Depois, lambeu a ponta dos dedos e olhou para Marcela. A garota estava estática e uma grande quantidade de suor frio escorria por todo o corpo. Era notável o vazio em seus olhos, revelando um intenso estado de choque. Os olhos de Laila brilharam. Ela enxugou no vestido suas mãos molhadas de sangue e foi até a cama, se debruçando sobre o corpo de Marcela. A pele da garota estava pálida e fria, como de uma morta. Porém, o coração batia de forma acelerada e descompassada. Laila repousou sua mão sobre o peito de Marcela para senti-la de forma mais vívida.

– Você não pertence mais a Renan. Você agora é minha! – disse observando o belo corpo escultural da ruiva.

– Afaste-se. Sabes muito bem que ela na verdade agora é minha. – Disse tranquilamente um velho homem, que apareceu repentinamente na entrada do quarto.

– Me deixe ficar com ela Dorival, eu posso te pagar de outra forma!

– Não, minha jovem Laila. Tenho planos para esta garota.

E assim, o velho Dorival carregou Marcela em seus braços. Laila o acompanhou sem nada dizer, e eles então se retiraram do apartamento.

 

quarto ensanguentado

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Sobre o Autor

Desenvolvedor de sistemas web, fascinado por estórias sobrenaturais e música obscura. Criou o Lua Sombria para divulgar informações sobre bandas, livros, jogos de RPG e trocar idéias com pessoas que compartilham esses mesmos vícios.



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