Entrevistas aesthetic_perfection

Publicado em 18 de julho de 2014 | por Trevor

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Aesthetic Perfection – Confira entrevista com Daniel Graves

 

“Me siga na escuridão, na calada da noite. É hora de saber a verdade, de conhecer o outro lado…”

Recentemente o Daniel Graves – homem por trás do Aesthetic Perfection – concedeu uma interessante entrevista ao site britânico The Electricity Club. Dentre os temas abordados na entrevista, ele fala sobre a cena Industrial / EBM, sobre como é ser uma banda de uma pessoa só e também sobre o seu processo de composição. A entrevista foi traduzida na íntegra pelo Lua Sombria, e o texto original pode ser acessado neste link. Então encha sua taça de vinho, aperte o play para curtir a música “A Nice Place To Visit” e boa leitura!

 



 

Você está indo bem atualmente em sua turnê com o Faderhead. Pode nos dar uma idéia de como é vida de estrada com Aesthetic Perfection?

Muita e muita vodka. Acordar. Vodka. Café da manhã. Vodka. Almoço. Vodka. Checagem de  som. Vodka. Pré-show. Vodka e música dos anos oitenta. Pós-show. Vodka, banho, música dos anos oitenta. Vodka. Dormir. Repetindo por 5 semanas.

 

No palco você é antítese de várias performances eletrônicas, mas você não se esconde humildemente atrás de laptops apertando botões. Qual é sua opinião sobre esses tipos de bandas?

Na minha opinião, se você é honesto sobre o que você está fazendo e quem você é, qualquer tipo de show ou performance é aceitável. Se o seu show é um karaoke, tudo bem! Você é como 99% dos artistas de rap em turnê. Existe alguém tocando o playback enquanto você canta. Eu já vi um monte de shows bons e empolgantes que eram simplesmente assim. Para mim, isso se torna idiota quando você tem pessoas no palco fingindo tocar instrumentos. Qual é o ponto? Isso não acrescenta nada ao show. Tudo que você faz é reproduzir egocentrismo nos “músicos”. Eu já fiz isso, eu já vi isso, e eu acho isso vergonhoso. Não minta para você ou para o seu público. Apenas seja honesto.

 

Uma vez de volta ao estúdio, quais são as melhores e piores coisas em ser um projeto solo?

Por um lado, eu tenho 100% de controle sobre o produto final. Não há desacordos entre artistas e não há compromissos artísticos. Mas por outro lado, você não tem outra pessoa lá para te incentivar a colocar as ideias para fora. Não tem um outro músico lá para te ajudar durante o processo ou emprestar sua expertise. Numa banda, cada membro tem suas qualidades e defeitos. Uma boa banda é maior que a soma de suas partes. Eu não tenho isso. A sobrecarga é enorme. Mas a recompensa também é enorme. Eu acho que minha personalidade não vai me permitir trabalhar de outra forma.

 

Aesthetic Perfection - Entrevista

 

Até que ponto o fato de você ter sido filho único impactou na sua jornada como músico?

Isso provavelmente foi o fator definitivo que fez me tornar um músico solo. Eu não gosto de compartilhar. Eu preciso de toda a atenção. Eu preciso de toda a glória. Eu preciso de todos os aplausos. Essa é a minha fraqueza e eu sei disso. Acho que se eu puder ao menos reconhecer isso e tentar existir apesar das minhas limitações psicológicas, é que eu vou poder ter alguma medida de sucesso em superá-las. Isso é uma batalha diária!

 

Qual influência você diria que a música eletrônica do Reino Unido teve sobre o Aesthetic Perfection?

Quando as pessoas falam sobre a música eletrônica do Reino Unido vem à minha mente várias imagens de raves e festas e cenas que eu simplesmente nunca me senti conectado com elas… dub, garage, drum ‘n’ bass, que não falam diretamente comigo. O álbum “In Sides” do Orbital foi realmente importante para mim como adolescente, porém isso é mais uma exceção do que regra. Mas quando falamos de Rock, o Reino Unido definitivamente ganhou meu coração. Led Zeppelin e Queen são algumas das minhas bandas favoritas de todos os tempos. E é claro, a maioria daqueles hits de new wave produzidos pelas bandas inglesas. ISSO sim é música que fala diretamente comigo.

 

Eu acredito plenamente que algumas das melhores músicas são criadas com recursos limitados, você compartilha desse ponto de vista?

Com certeza. Os limites são as forças condutoras que estão por trás da inovação. Quando você tem todos os recursos imagináveis sob os seus dedos, você é sujeito a acabar com sua criatividade. Eu costumava piratear todo software novo de sintetizador que saísse. Todos os plugins que se possa imaginar e minha produção artística foi um melaço. Percebi que eu nem sequer entendia direito com o que eu estava trabalhando. Certa vez eu tive uma luz e decidi selecionar cuidadosamente as minhas ferramentas; para aprender cada uma por dentro e por fora. Eu comecei a comprar a licença de todos os meus softwares. Não porque isso era ético, mas porque eu tinha em mente que se fosse para gastar meu dinheiro suado em alguma coisa, seria melhor que eu tivesse uma puta certeza de que eu realmente queria e precisava disso. À medida que os anos se passaram no meu “estúdio” isso veio se tornando menos complicado.

 

Com o álbum “Til Death” você alguma vez já chegou ao ponto em que hesitou e pensou que não poderia continuar com tamanha mudança de sonoridade / direção?

Constantemente. Eu não sou um homem confiante. Minha persona é confiante por quê é assim que eu gostaria de ser, mas na realidade eu sofro de uma paralisante auto-dúvida. É claro que eu já pensei “talvez eu deveria fazer um ‘A Violent Emotion Part II’ como todo mundo quer“. A coisa é: eu sabia que esse caminho não me levaria ao sucesso ao longo prazo ou a satisfação artística. Nada que eu fizer vai satisfazer a todos, e esse é o conhecimento que me obriga a permanecer fiel ao caminho que estou. No final das contas, se eu estiver indo fazer alguma coisa, eu preciso ir com tudo. Algumas vezes você só tem que fechar os olhos, respirar fundo e pisar fora da borda.

 

 

Que tipo de equipamento você usa em estúdio, e como é o seu processo de composição?

Eu uso softwares e controladores. Sintetizadores e guitarras. É tudo a mesma coisa quando você bota pra quebrar, certo? Não há uma ferramenta mágica que irá fazer sua música boa ou ruim. A mágica vem através da perseverança e dedicação ao seu ofício. Nenhuma música já foi escrita alguma vez da mesma forma. Ela pode começar como uma batida de bateria, uma linha de baixo ou com uma melodia na sua cabeça. Ou seja, qualquer coisa que faça seus ouvidos se animarem e ir para o “espere um minuto…“.

 

Se tivessa a chance de escrever músicas mais comercias / mainstream para importantes gravadoras de grandes artistas (mesmo com um pseudônimo), você aproveitaria essa oportunidade?

Porquê ter um pseudônimo? Neste negócio, seu nome é tudo o que você tem. Quando eu começo?

 

Fiquei honrado em ganhar a competição de remix do “All Beauty Destroyed” com um mix EMP 80834. Foi uma atitude incomum você ter disponibilizado a partitura original da música, como isso aconteceu?

Aquele foi um ótimo remix, obrigado! Eu achei que seria legal oferecer aos fãs kits de remix e partituras ou qualquer coisa que poderia inspirá-los. Quando eu era criança,  fui inspirado a compor minha própria música depois de aprender a tocar as músicas dos outros. Seria legal pagar pra ver isso, por assim dizer…

 

Entrevista - Daniel GravesVocê fez um cover de “She Drives Me Crazy” do Fine Young Cannibals. Isso foi um movimento calculado para provocar os fãs ortodoxos de Industrial / EBM ?

Isso foi um caos calculado. Existe uma vaga noção de “plano mestre” mas no final tudo isso é só maluquice. Isso foi absolutamente feito com um sorriso no rosto, mas acredito que chegamos ao ponto onde nossos fãs sabem esperar o inesperado, e esses caras com corte [de cabelo] militar e calças camufladas sabem que o quê nós estamos fazendo não é bem a praia deles.

 

Com letras como “Bem, me dê só mais uma dose…. para tolerar essa cena cansada“, e com a recente colaboração para o Combichrist “FVCK INDVSTRIAL”, você não está mordendo a mão que te alimenta?

Primeiro. eu gosto de injetar um pouco de humor no que eu faço, porque, com toda sinceridade, a vida é chata se você não consegue rir de si mesmo. E segundo, eu não acho que as pessoas realmente percebem o quão importante a cena dark é para mim. Ela me deu um lar quando eu era um adolescente perdido, ela me apoiou como artista e me trouxe para onde estou agora. Sinto-me humilde e eternamente grato à nossa cena. Dito isso, ela continua uma cena, assim como em toda cena (metal, techno, punk, etc…) as pessoas podem ser arrogantes elitistas. Relaxe. Tome um drink. Perceba que há um mundo inteiro de coisas para curtir fora da sua pequena caixa.

Eu pensava que o underground deveria ser aberto e receptivo; um paraíso seguro para os desprivilegiados. Porquê o underground é mais crítico do que o mainstream que ele tanto desdenha? Você acha que os fãs de Rihanna se importam se ela fizer uma música de dance, depois um hip hop e em seguida uma balada? Não. Eles apenas gostam disso por gostar. Como estar conforme às expectativas de uma cena underground ainda menos conformista? Eu vejo distinção ZERO entre se vestir com roupas de hip hop e vestir-se como um Cybedog. É tudo vestimenta.

 

Como vários outros músicos, você tem uma forte presença digital tanto no Facebook quanto no Twitter. Você gosta de levar represálias nos comentários dos críticos?

Quando o “Clube da Luta” saiu em DVD,  os comentários negativos estavam impressos em todo o encarte. Eu achei aquilo foda e prometi à mim mesmo que se eu tivesse a oportunidade, eu glorificaria tanto a minha imprensa negativa quanto a positiva. Os seres humanos almejam o conflito. Eu só estou dando a eles o que eles querem.

 

O que o futuro guarda para o Aesthetic Perfection, você já começou a conceber o próximo álbum?

Eu acho que estou farto de álbuns por enquanto. A atenção das pessoas foi destruída pela gratificação instantânea do mundo da internet. Twitter. 144 caracteres ou menos. Mais a dizer?  Não há como ser incomodado. 3 anos esperando por um álbum? Esqueça sobre você. Os caras do techno sabem o quê que rola. Singles e EP’s. Continue relevante. Permaneça à vista do público. Isso é uma vergonha, mas eu não estou aqui para dar o que você quer. Certo?

 

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Sobre o Autor

Desenvolvedor de sistemas web, fascinado por estórias sobrenaturais e música obscura. Criou o Lua Sombria para divulgar informações sobre bandas, livros, jogos de RPG e trocar idéias com pessoas que compartilham esses mesmos vícios.



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